Sexo, futebol, amor e traição

Thursday, 17 December 2009, 19:29 | Category : Crônicas da Bola
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Tem quem diga que um homem muda de tudo na vida, menos de time de futebol.
Verdade ou não, eu conheci alguns anos atrás um homem que quase mudou tudo o que tinha na vida por causa de uma mulher, inclusive de time.
Contarei a história – breve e conturbada – de Aline e Clóvis.
Clóvis era o nosso goleiro, no famoso citadinho de Gravataí. Um goleiro como poucos. Baixinho e gordo, parecia que nunca chegaria nas faltas mais próximas do ângulo, mas, contrariando qualquer lei da física sobre massa e gravidade, ele sempre chegava com a agilidade de um gato, e acabava nos safando de goleadas homéricas, já que o nosso querido escrete poderia ser resumido em uma frase: “Muito mais vontade do que talento”.
Clóvis sempre fora um apaixonado, pela vida e pelas mulheres. Sempre foi do time dos fiéis, nunca saia do prumo quando encontrava a patroa da vez – mesmo que a patroa da vez mudasse a cada 5 meses, no máximo – mas era fiel. Assim como era fiel ao Inter, colorado de família, de longa tradição na coréia do Beira-Rio e das arquibancadas de cimento que foram feitas com o suor do trabalho e das doações de milhares colorados, inclusive, na casa do pai dele era ostentado sempre um quadro, batido e velho, mas com o valor inestimável que só algo histórico têm: Aqueles famosos certificados que a direção do Inter deu à quem doasse qualquer material de construção para a construção do estádio novo.
Aquele quadro, segundo o pai do Clóvis estava ali para lembrar a todos do grande colorado que havia sido o avô dele.

A vida, essa meretriz traiçoeira que dá voltas todos os dias, uma vez trouxe até o Clóvis uma garota exuberante e linda, que lembrava os sonhos mais eróticos de todos nós do time. Ela caminhava languidamente sempre em direção ao Clóvis como se fosse dar à ele a melhor noite da vida dele. E sempre foi assim. Durante anos Clóvis fora apaixonado por ela como poucos homens se apaixonam na vida, tudo o que Clóvis fazia, de forma ou outra, culminava nela, Aline. Cabelos negros, lisos até o meio das costas, 49kg distribuídos por 1,60m de luxúria e sonhos. Ela tinha a voz rouca de veludo que as divas tem, caminhava como se o mundo fosse a sua passarela e matava do coração o nosso pobre goleiro.
Depois demais de 4 anos sem nada rolar entre eles, finalmente, uma bela tarde – depois de alguns anos sem o Clóvis sequer olhar na cara de Aline – ele volta à sua rotina de trabalhos por ela. Começou com uma conversa tranquila num banco qualquer, ele pedindo desculpas por tudo, ela aceitando passivamente as desculpas. Ele, tomando coragem e se declarando por ela e ouvindo, o que todo o homem quer ouvir, que ela também o amava.
Um pequeno interposto entre esse amor belo e fugaz sempre foi o fato de o namorado dela estar entre eles,mas, segundo o próprio Clóvis, isso era um detalhe que ela ia resolver segunda-feira. Mesmo que tenham se passado muitas segundas-feira, e nunca tenho havido resolulção deste detalhes, Clóvis ainda se via como o amado de Aline.
Nós, os amigos, sabedores da fama pregressa da dita Aline, sempre fomos reticentes quanto ao envolvimento do nosso arqueiro com a morena. Mas, sabe como é o amor, tem dessas coisas, nenhum amigo dará ouvidos aos outros quando um par de pernas alvas e lisas se interpõem entre eles.
Clóvis continuava sendo nosso inexpugnável goleiro, e continuava sendo o mais colorado dos colorados de Gravataí. E nós, continuávamos preocupados com o “relacionamento” que tomava corpo ali na nossa frente. Um relacionamento só iria destruir nosso amigo goleiro, tal qual Tite destrói tudo o que toca e acaba com qualquer time que treina.
Mas, nada disso importa, os voluotuosos seios de Aline continuavam a encontrar o peito febrio do nosso amigo, cada dia mais encoleirado pela moça. Nada que fosse dito poderia apagar a fama da paixão que queimava no corpo de nosso amigo. Era como tentar apagar algumas chamas com gasolina, cada respingo da nossa infrutífera tentativa de pôr um pouco de racionalidade na cabeça de Clóvis era motivo para uma chama a mais que brotava na paixão dos dois – ou seria dos três ?
À essa altura, meses depois do primeiro beijo, os dois já estavam saindo juntos toda a semana, correndo por festas e bebendo quando o namorado da Aline ficava preso em alguma problema do trabalho, ela lógicamente, sempre acalmava o ânimo de Clóvis com o famoso bordão “Eu te amo, mas tenho medo do que ele pode fazer contigo se eu acabar o meu namoro”. E isso deixava Clóvis, o nosso outrora goleiro ágil, mole como uma mariola vencida.
Junto com as festas e os novos amigos, Clóvis foi ficando cada vez mais sem tempo para o esporte bretão costumaz de domingo à tarde, como se fosseo último dos Ricardões, Clóvis se mantinha fiel à pseudo-namorada que arranjara, vivera, afinal, o sonho dourado de anos. Aline por sua vez modificava tudo em nosso amigo. Desde as roupas até o gosto musical, Clóvis que sempre fora um sujeito MPB, agora, era visto ouvindo ACDC a todo o volume em casa. Pobre Clóvis, nem tempo para acompanhar mais o seu Inter tinha. Aline, gremista que era, sempre pedia para que ele a levasse no Olímpico aos domingos, Clóvis, renegou sempre. Culpa talvez da arrumação da casa da mãe, que pusera o telefone logo abaixo do quadro, onde sempre que Clóvis era indagado sobre a sua visita ao Olímpico, via o rosto de seu avô retratado no quadro, aquilo dóia duplamente, por seu avô vê-lo cogitando o co-irmão, e pela sua amada inferindo nele a responsabilidade de ir à casa do rival. Com um não empertigado e sofrido, sempre acabava a conversa sobre futebol com ela.
Mas bem da verdade, ele não aguentava mais isso. Foi quando ele começou a pensar em parar completamente de jogar conosco as peladas de final de semana, que serviam como preparatórias para o grande confronto em Julho, a semi-final do citadino. Com muita conversa e chantagem de amigos ele aceitou ser o nosso goleiro, mas avisou que teríamos que ter um goleiro reserva sempre disposto a jogar, porque a presença dele não era certa em todos os jogos. Inscritos, Clóvis com a número 1, e um pouco de felicidade por esse vitória pessoal corria pelas nossas faces.
Até a reviravolta.
Um certo dia, numa briga de casal pequena, Aline intimou Clóvis: “Como eu posso te amar se nem no jogo a gente pode ir junto ? Tu teria que mudar de time, fazer algo realmente grande para me agradar e me mostrar que tu está disposto à lutar por mim!”.
Mudar de time ? Essa mulher TEM QUE ESTAR LOUCA. Pensou Clóvis e todo mundo que ele contou do fato acontecido.
Todos esperavam de Clóvis não menos que um passa-fora na Aline e uma redentora semi-final contra o time do centro da cidade. Porém, Clóvis titubeou. Clóvis, colorado de carteirinha, tatuagem e tradição, agora flertava com as cores do tricolor gaúcho. Passava na frente do Olímpico como se estivesse tomando coragem para se afeiçoar ao novo clube. Sempre que tentava pisar no Olímpico pensava no seu avô, no seu pai e na sua família, nas velhas luvas de goleiro que ele tinha herdado do ex-guarda redes do Flamengo de Caxias, na velha e surrada camisa Nº 1 que ornamentava o seu avô durante anos, e agora, estufava o seu peito.
Não, não podia crer quem uma alma feminina fosse tão nefasta a ponto de pedir que um homem desista do seu clube - que todos sabem não fora por ele escolhido, mas sim, pelo mundo dado à ele, como um fardo que nos traz alegrias e tristeza, que nos remete ao mundo das glórias, e depois de 3 minutos, nos põe de volta à vida mundana de decepções.
Não. Aline iria entender que ele poderia fazer qualquer coisa neste mundo, mas nunca poderia mudar de clube.
E ele foi, decidido a negociar com aquele ser feminino, fugaz e ilógico, outro tipo de sacrificio. E ela aceitou, como aceitam negociar os ditadores mais sanguinários, uma nova remessa de sandices futebolísticas. O agora ex-namorado de Aline era meio-campista do time do centro da cidade – que nem vale a pena ter o seu nome mencionado – e iria jogar contra a nossa equipe em frangalhos no domingo. Valendo uma vaga na final.
A mente feminina realmente é notória quando se trata de maquinar pensamentos lugubres de forma a atentar contra os anseios mais honrados de nós, pobres homens. Aline pensou na pior declaração que poderia ser feita pelo nosso, agora pálido, Clóvis. Perder o jogo. Entregar. Entregar o jogo para o seu ex, e, eterno rival de Clóvis. Dar de bandeija a vaga na final para o ensebado time do centro.
Quando Clóvis nos contou, fomos unânimes em dizer-lhe que ela estava louca e ele cego de burrice e paixão (como se tivesse de fato, alguma diferença entre ambos).
Mas, de forma irredutível – e confesso, numa grande disputa de poder – mantivemos Clóvis no jogo, de forma que, retiramos do time o goleiro reserva, sendo assim, ele era o nosso único goleiro e teria de decidir entre a honra com os amigos e a vaga na final, ou, o nefasto amor da mais bela das morenas de Gravataí.
Uma semana inteira se passou sem que Clóvis nos visse ou falasse conosco, mas também, sem nenhum tipo de cancelamento por parte dele. Sempre que nos encontravámos nas beiradas da esquina do bar do Alfredo, ele apenas acenava com a cabeça e seguia calado o seu rumo, rumo que levava-o à casa de Aline.
Bebíamos em homenagem à ele todo o dia, esperando que mais cedo ou mais tarde ele aportasse no bar, chegasse à nossa mesa e declarasse a sua desistência. Mas a verdade é que o nosso goleiro estava pensativo. Primeiro foi a história de mudar de clube, agora, essa traição aos amigos, e depois ? O que pediria Aline depois ? Quem sabe o que aquela mente feminina inescrupulosa poderia pedir à ele após a entregada do jogo. Nem ele sabia. E o pior, não conseguia conceber como poderia sair dessa encruzilhada sem perder a amizade tão duradoura do pior time de Gravataí, ou, o amor mais belo que ele nutria pela Aline.
Chegou o grande dia, todos estavámos no vestiário imundo do campo do Barnabé, nos trocando e esperando a hora de anunciar que não poderíamos jogar com 10 jogadores apenas, ainda mais, sem goleiro. Eis que, 10 minutos antes de começar o certame, aponta na porta semi-podre do vestiário, Clóvis. Com a sua mochila nas costas, olhar para o chão, sem dizer uma única palavra ele se senta e começa a trocar de roupa. Nós, atônitos, pensamos que a sua tristeza se devesse à briga com Aine, afinal, se ele veio jogar iria REALMENTE jogar, sem entregar aos ensebados o jogo.
Entramos em campo, avistamos ao fundo Aline, mini-saia provocante, cabelos presos e mandando alguns beijinhos para Clóvis. Do outro lado, o ex.
O chão tremia, pulsava como se fosse um ser vivo. A cancha era um coração batendo aceleradamente esperando pelo embate épico dos dois times. Os mais céticos irão dizer que não, que a pulsasão do campo era por causa da tubulação de esgoto velha que passava por ali debaixo, mas nós sabíamos que havia em jogo ali, muito mais do que uma vaga na final, havia a honra, o amor e a amizade. E só um dos dois iria sair de lá intacto.
O jogo começou, nervoso como sempre, Clóvis olhava em todos os cantos, esperando que uma lesão acalanetadora o livrasse do peso de decidir entre o futebol ou o amor de sua vida. Nós, lutavámos contra a natureza e empatavámos friamente o jogo. Pontapés, chutes que saem pela lateral sem encontrar um único pé salvador, buracos sendo preenchidos com areia de construção. Havia de tudo o que uma boa várzea necessita para um jogo. Mas também havia Aline. Que por muitas vezes se colocou na tela que separava a limosa arquibancada de madeira do precário campo, onde se tinha mais terra batida do que grama. Pés corriam sem encontrar nenhum tipo de grama por horas a fio. As mãos e luvas de Clóvis estavam pensando 3 vezes mais, culpa da terra e da água que se abateu quando começou a chuva de verão, que só serviu para enlamacear o campo completamente. Marrons de barro fomos para o vestiário naquele primeiro tempo de um 0×0 com muita raça, muita pegada e pouca técnica.
No intervalo, Aline veio falar com Clóvis, era vísivel o quanto ele estava morrendo a cada minuto. Uma conversa rápida, poucas palavras e um Clóvis devastado, Foi isso o que soubemos na hora. Ele voltou, enxugou a camiseta e disse: “Vamos para a final”.
E fomos, primeiro pro segundo tempo.
Clóvis era outro homem, estava berrando com toda a zaga, correndo por toda a área como se fosse um leão. Queria ganhar. Achamos que Aline tinha acabado com ele por ele ter segurado um 0×0 – que no fundo havia se segurado por si só – e que ele agora queria mostrar ao mundo que ainda tinha sangue e honra. Mas não o suficiente, por mais que fossémos esforçados, o gol era algo muito distante de nós. E o 0×0 persistia até o final os 43 do 2º tempo. Quando já estávamos esperando os penaltys, quando todo mundo esperava o dramático desfecho da partida, Ângelo, um boçal que era irmão da namorada de um dos jogadores, cometeu um penalty. Um penalty contra nós. Pôs a vaga na final no colo do outro time como se quisesse provar ao mundo que o Clóvis tinha voltado, dando à ele a chance de mostrar como um goleiro de verdade decide um jogo. Reclamações, uma semi briga, Clóvis olhou quatro vezes para as pernas de Aline na arquibancada em meio às goteiras da precária cobertura que ali havia – cobertura modo de falar, eram 4 telhas de zinco largadas a sorte – e rangia os dentes como se quisesse arancá-los um a um.
A bola, tão maltratada, é posta no buraco branco que demarcava o penalty, Clóvis de braços abertos, no centro do gol. Nós paramos e olhamos, pegar um penalty é quase impossível, pegar um penalty contra a vontade de sua namorada, é homérico.
Mas, Clóvis pegou. Pulou cegamente, adivinhou o canto e encaixou no seu tórax a pelota. Manteve o 0×0 e nos colocou, por ironia do destino, nos penaltys. Aline deu apenas um suspiro. Clóvis derramou uma lágrima. Sabia que a tinha perdido. Não fomos para o vestiário, ficamos ali no campo esperando o juíz conseguir outro apito ao mesmo tempo que víamos Aline descer em firmes passos até a chuva que voltava a cair, chamar Clóvis aos berros e lhe apontar o dedo em riste. Clóvis apenas olhava-a. Como se admirasse alguém que nunca mais vai ver. Ela vociferava baixo.
Tentamos arrancar de Clóvis o que ela disse antes, no vestiário, e agora. Ele apenas murmurou “vou perdê-la para ele” apontando para o algoz que sempre estivera com um sorriso no rosto.
Não entederíamos de imediato o que ele queria dizer com isso, mas depois, faria todo o sentido e nos tornaria mais amigos ainda.
Fomos as cobranças, que se alternavam sem que nenhum goleiro chegasse perto de defender. Aos poucos a tensão crescia. Aline ainda olhava, a cada cobrança bem sucedida para Clóvis como se desse à ele uma esperança em que se agarrar, Clóvis não nos olhava. Saía do gol de cabeça baixa e olhava para o inifinito, sem lugar determinado, apenas olhava. Parecia que estava em transe. Clóvis se posicionava de maneira central sempre, mas nunca chegava na bola a tempo. Na quinta cobrança, o ex pegou a bola. Estávamos em vantagem. Se Clóvis pegasse justamente esse cobança, estaríamos na final.
Novamente, o campo pulsava. Calados os espectadores olhavam para aquele gol, manchado de barro e com o sangue de muitos outros goleiro entranhado nele. A bola posicionada no seu habitual furo, e Clóvis, como sempre, de braços abertos. Será que justamente aquele penalty iria trazer a nós a tão sonhada vaga, ou, seria aquele o penalty da redenção d Clóvis com a sua amada ? Foram 3 segundos que passaram como se fossem 3 anos. Entre a bola se colocada no buraco, o pé enlamaçado encontrar-se com ela e Clóvis pular, o mundo parou de girar. Clóvis pulou, como nunca tinha pulado, caiu no chão, a bola resbalou em seus dedos e encontrou a trave, e, caprichosamente, beijou-a e correu para a linha de fundo. Clóvis, ajoelhado esmurrou o chão e deu grito. Nós pulamos em cima dele. O campo se tranformou numa catarse coletiva para nós, jogadores da várzea aquela era a nossa copa do mundo, e Clóvis, o nosso Taffarel. Fomos à final. Ganhamos o jogo, e Clóvis, perdeu Aline. Pegou dois penaltys inacreditáveis no mesmo jogo e nos alçou a final.
Não vimos ela saindo, vimos apenas o ex caminhando com um sorriso no rosto, e dando desculpas.
No bar do Alfredo, 2 horas depois, Clóvis nos contou a conversa do vestiário. Aline queria-o, mas, ele deveria querer Aline. Aline escolheu, se Clóvis não entregasse o jogo, voltaria aos braços do ex que a cortejava desde o término do namoro dos dois. Clóvis, ficaria sem ela. Ele pensou durante 43 minutos. Quando ele viu o atacante se posicionando no primeiro penalty, quis ganhar. Quis ganhar desde o vestiário quando infamou à todos para irmos à final. Quis ganhar o jogo e perder a namorada.
Bebemos em homenagem ao melhor goleiro que o Barnabé já viu. Bebemos em homenagem às milhares de músicas de fossa que ouvimos naquela noite, e bebemos em homenagem à elas, as mulheres que desgraçam a nossa, e, ao memso tempo, a torna tão boa.
Uma semana depois, na final, perdemos pela que, talvez, seja a maior goleada da história do citadino. Perdemos de maneira acachapante e serena. Lutamos até o fim, todo juntos, sem preocupações. Perdemos o jogo mas ganhamos a honra.
Neste nosso último citadino, descobrimos que éramos mais amigos do futebol do que de nós mesmos, que tinhamos mais amor ao futebol do que às mulheres. Descobrimos que um homem pode sim escolher entre o que mais ama, ele só precisa saber o que mais ama.
Ao contrário do que se prega, Aline continuou bela. Casou-se e teve 2 filhos, e mesmo hoje, quarentona que é, continua arrancando suspiros juvenis de todos os lados. Suas pernas ainda valem milhões e seu balanço ainda faz o mundo parar.
Clóvis mudou-se de estado 3 dias depois da final, e nunca se casou, mas dizem, continuou apaixonado pela vida, pelo futebol e pela alma feminia. Nunca mais se envolveu em nada parecido, e nunca mais amou. Até hoje, dizem, guarda a última foto dele ao lado de Aline.
Engana-se quem pensa que, naquela tarde chuvosa de domingo, Clóvis escolheu a amizade conosco ao invés do amor de Aline, não, pelo contrário, não escolheu nenhum dos dois. Ele escolheu o amor ao futebol, esse esporte que é mais do que esporte, é paixão. É esposa e amante ao mesmo tempo.
Nos monta e desmonta em minutos. Que nos faz matar e morrer pelo mesmo motivo.
O futebol é como uma mulher, traiçoeiro, belo e apaixonante.
E que o Clóvis sempre se lembre disso.

- Guilherme Pilotti

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8 Commentários for “Sexo, futebol, amor e traição”

  1. 1Alex Witchfinder

    Clóvis, nosso honrado guerreiro, que a vida o recompense, apesar de sua lesão que o afastara dos gramados.
    E viva o coloradismo, a paixão e o futebol.

  2. 2Rodrigo

    Belíssimo texto. Acho que todos nós já fomos Clóvis.

    Herói marcado pela decisão difícil… Escolher entre duas coisas amadas, entre dois pólos (infelizmente) antagônicos.

    E por mais que digam, “amanhã tu conhece outra Aline”, a gente no fundo sabe que não é assim. Pode existir outra melhor, outra pior, mas igual a sua Aline nunca. E acho, por isso as coisas são tão boas.

    Por mais que o contexto mude, essa é uma situação que enfrentaremos pro resto da vida.

    De novo, belíssimo texto. Devias pensar em publicar isso, prato cheio pra revistas tipo Placar, Vip e etc. De verdade, parabéns. Exprimiu tudo que eu e a maioria dos homens já passou, pelo menos alguma vez na vida.

  3. 3Pietro

    fantastico

  4. 4Pietro

    De novo, belíssimo texto. Devias pensar em publicar isso, prato cheio pra revistas tipo Placar, Vip e etc. De verdade, parabéns. Exprimiu tudo que eu e a maioria dos homens já passou, pelo menos alguma vez na vida. [2]

  5. 5Luiz Fabiano

    texto excelente, fui começando a ler meio por obrigação (pq tinha dito que leria hehe) e fui me prendendo, não conseguiria sossegar enquanto não terminasse. de fato, todos já devem ter vivido alguma situação em que foram postos frente a uma encruzilhada - com nenhum caminho sendo fácil de abandonar, até pq geralmente um dos lados vai até uma mulher - e ser Clóvis, nessas horas, é uma missão ingrata

  6. 6Gregory

    Puta textão do caralho, parabéns cara.
    Não tem o que falar, futebol é muito mais que um esporte, é um vício, uma paixão, já tentei largar, acho que todos aqui um dia já tentou, mas é impossível.

  7. 7Germano Jaeschke Schneider

    Goleiro, colorado, Gravataí, músicas de fossa…

    Creio ter encontrado indícios auto-biográficos…

  8. 8Guilherme Pilotti

    Não sei.
    Quem sabe.

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